Em seu sentido mais elementar, doutrina cristã é a crença cristã baseada na Bíblia. Como exemplo, podemos citar as crenças de que Deus é triúno (Deus é três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo), Jesus é, ao mesmo tempo, totalmente Deus e totalmente homem e a salvação é pela graça divina. A sã doutrina reflete em forma resumida o que as Escrituras afirmam e aquilo em que a igreja deve crer.
A igreja deve rechaçar a heresia e corrigir seus erros.
A doutrina cristã em suas quatro aplicações
A doutrina é crida. Ortodoxia é crença correta, ou sã doutrina.
A doutrina é praticada. Ortopraxia é prática correta, ou vida santa.
A doutrina é confessada. Confissão é a declaração pública da fé cristã.
A doutrina é ensinada. Ensino (a palavra “doutrina” vem do latim docere, “ensinar”) é a transmissão fiel da crença cristã de uma geração para outra.
Assim, deve-se crer na doutrina, praticá-la, confessá-la e ensiná-la. Ela é fé cristã que envolve não apenas o intelecto, mas todo o nosso ser: mente, emoções, vontade, motivações, atitudes, intenções, comportamento, palavras e instrução.
Doutrina cristã como fé e prática
A doutrina cristã como fé e prática é importante por várias razões. A Bíblia associa a sã doutrina à maturidade cristã e às responsabilidades da liderança. Quanto ao primeiro ponto, a ideia bíblica de ter crentes maduros em igrejas maduras tem este objetivo: “para que não sejamos mais crianças, levados de lá para cá por ondas e carregados por cada vento de doutrina, pelo ardil dos homens, por sua astúcia em esquemas enganosos” (Ef 4.14). A maturidade cristã visa à adoção da sã doutrina e à rejeição de falsas doutrinas e, pelo menos em parte, é avaliada por esse critério.
Igrejas e cristãos maduros são caracterizados por boa teologia.
Quanto às responsabilidades da liderança, a Escritura descreve bons servos de Jesus Cristo como discípulos que são “treinado[s] nas palavras da fé e da boa doutrina que [têm] seguido” (1Tm 4.6). O presbítero, /pastor ou /ministro deve “apegar-se firmemente à palavra fiel tal como ensinada, para que seja capaz tanto de instruir de acordo com a doutrina quanto de convencer os que a contradizem” (Tt 1.9). Os líderes da igreja devem adotar e praticar uma doutrina sólida, além de serem capazes de refutar os que se opõem a ela.
Os líderes da igreja são caracterizados por boa teologia.
Usando um contraste negativo, podemos dizer que alguém alheio à fé cristã “ensina outra doutrina e discorda das sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e da doutrina que é de acordo com a piedade” (1Tm 6.3). Aliás, ao final de uma longa descrição de tipos ímpios — “transgressores e desobedientes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos […] mentirosos, perjuros” —, Paulo indica que a lista continua ao acrescentar um tipo de “etc.”: “e […] tudo o que se opõe à sã doutrina” (1Tm 1.9,10). Falsa doutrina ou heresia é o oposto de sã doutrina. Devemos rejeitar a primeira e nos agarrar à última.
Os que não pertencem à fé são caracterizados por teologia falsa.
Portanto, a doutrina cristã como fé e prática é importante.
Doutrina cristã como confissão e ensino
A doutrina cristã como confissão e ensino é importante por várias razões. As passagens bíblicas que acabamos de ler enfatizam a importância de reter com firmeza a boa teologia e transmiti-la. Em muitas ocasiões e épocas, a igreja confessou publicamente aquilo em que crê. Aqui está um trecho de um credo da igreja primitiva acerca de Jesus Cristo — uma confissão encontrada no Novo Testamento (1Tm 3.16):
Evidentemente, grande é o mistério da piedade:
Ele foi manifestado na carne,
justificado pelo Espírito,
contemplado por anjos,
pregado entre as nações,
crido no mundo,
recebido na glória.
Cada um dos credos da igreja primitiva expressava, de forma resumida, a sã doutrina que a igreja confessava. O Credo dos Apóstolos, por exemplo, afirma: “Creio em Deus Pai todo-poderoso […] e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor […] e no Espírito Santo”.
A igreja confessa boa teologia publicamente.
A igreja ensina sã doutrina. Desde o início, a igreja tem a tradição de transmitir sua fé — aquilo em que ela crê — a seus novos membros. Às vezes nos referimos a isso como transmitir uma tradição (lat., traditio, “entrega”). Cristãos mais velhos — particularmente os líderes cristãos — instruem os novos crentes na sã doutrina, a qual, por sua vez, eles põem em prática em sua vida, servindo de modelo. Aliás, o discípulo (lat., discipulus, “estudante”) é um estudante de boa teologia que se torna cada vez mais conforme à imagem de Jesus Cristo. Sem minimizar a importância do papel que escolas, faculdades, universidades e seminários cristãos desempenham no ensino da teologia, a igreja não deve abdicar jamais de sua posição como principal transmissora da sã doutrina.
A igreja transmite boa teologia de geração em geração.
Portanto, a doutrina cristã como confissão e ensino é importante.







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